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Seu Blog da Saúde Mental!

Textos sobre saúde mental, escritos para quem quer entender melhor o que sente.

Ilustração de uma poltrona verde com uma almofada escrita “tristeza”, ao lado da frase: o sofrimento não pergunta se pode entrar.

O sofrimento não pede licença

e talvez esse seja o primeiro passo para compreendê-lo.

Alguma vez você já conseguiu barrar o sofrimento que estava à sua porta?

Em outras palavras: você já conseguiu dizer “não” à dor de perder alguém, de ser traído, de viver uma frustração ou uma decepção, e simplesmente deixar de sentir tudo aquilo?

Provavelmente, não.

O sofrimento chega sem pedir permissão. Ele não espera um momento conveniente, não pergunta se você está preparado e tampouco vai embora porque você gostaria. Ele simplesmente aparece e passa a fazer parte da experiência.

Essa ideia é representada na frase de Chinua Achebe, escritor, poeta e crítico literário nigeriano, ao retratar o sofrimento como alguém que entra e se acomoda sem ter sido convidado.

Se o sofrimento faz parte da experiência humana, por que ainda insistimos em tratá-lo como algo que nunca deveria existir?

Desde cedo aprendemos que sentir tristeza, medo, culpa ou angústia é um sinal de fraqueza ou de que há algo errado conosco. Assim, quando essas emoções aparecem, a primeira reação costuma ser tentar eliminá-las o mais rápido possível. Mas há um problema nessa estratégia: emoções não desaparecem porque queremos.

Quanto mais lutamos contra aquilo que sentimos, maior tende a ser o desgaste emocional. Em vez de acolher a experiência, gastamos energia tentando controlar algo que, muitas vezes, está fora do nosso alcance.

Isso não significa se conformar com o sofrimento ou desistir de resolver os problemas. Significa reconhecer que existem duas tarefas importantes diante de uma situação difícil: lidar com o problema e lidar com as emoções que ele desperta.

Resolver um conflito, tomar uma decisão ou enfrentar uma perda é importante. Mas desenvolver recursos para atravessar a tristeza, a ansiedade, a frustração ou o medo é o que fortalece você para enfrentar essa realidade com mais clareza.

O primeiro passo, portanto, não é eliminar a dor.

É permitir que ela exista.

Reconhecer o que você está sentindo, sem se julgar por isso, cria espaço para enxergar a situação de forma mais equilibrada. É essa presença diante da própria experiência que ajuda a distinguir aquilo que pode ser transformado daquilo que precisa ser aceito.

Quando conseguimos fazer essa diferenciação, deixamos de gastar tanta energia tentando controlar o incontrolável e passamos a direcioná-la para aquilo que realmente depende de nós.

Organizar-se por dentro não faz os problemas desaparecerem.

Mas torna muito mais possível enfrentá-los por fora.

Ilustração de um navio desenhado à mão sobre o mar, com a frase: o navio está seguro quando está no porto, mas não é para isso que se fazem navios.

Segurança ou estagnação?

O custo invisível de evitar o desconforto.

Você está realmente se protegendo ou apenas adiando a vida que poderia estar vivendo?

Todos nós buscamos segurança. Construímos rotinas previsíveis, tentamos controlar o que está ao nosso alcance e, sempre que possível, escolhemos caminhos que parecem oferecer menos risco. Essa necessidade é natural e, em muitos momentos, importante.

O problema surge quando a segurança passa a ser o principal critério das nossas escolhas.

Sem perceber, começamos a evitar situações que despertam ansiedade, adiamos decisões importantes, desistimos de oportunidades e nos afastamos de tudo aquilo que envolve incerteza. A sensação imediata é de alívio, mas existe um custo silencioso nesse movimento: a estagnação.

Evitar o desconforto pode parecer uma estratégia de proteção, mas não favorece o desenvolvimento. Na verdade, tentar eliminar completamente o desconforto é uma tarefa impossível e, muitas vezes, quanto mais lutamos para não senti-lo, maior ele se torna.

Existe um tipo de fortalecimento que não nasce da estabilidade, mas da exposição gradual aos desafios.

É enfrentando situações difíceis que descobrimos novos recursos, aprendemos a lidar com imprevistos e desenvolvemos confiança na nossa própria capacidade de adaptação. Quanto mais nos adaptamos, menos frágeis nos sentimos diante das mudanças da vida.

Esse processo começa muito cedo.

Desde a infância, aprendemos por meio das experiências: tentamos, erramos, ajustamos e tentamos novamente. Cada desafio superado amplia nossa autonomia e fortalece nossa percepção de competência.

Quando a proteção é excessiva, porém, esse processo pode ficar limitado. Pessoas que tiveram poucas oportunidades de experimentar, decidir ou enfrentar pequenos desafios podem chegar à vida adulta com mais dificuldade para lidar com frustrações, mudanças e incertezas.

Isso não significa que a infância determina o futuro, mas ajuda a compreender por que algumas pessoas sentem uma necessidade intensa de controlar tudo ao seu redor.

Na vida adulta, essa busca constante por segurança pode aparecer de diferentes formas: evitar mudanças de carreira, adiar conversas difíceis, permanecer em relacionamentos insatisfatórios, deixar projetos importantes para depois ou desistir de experiências antes mesmo de tentar.

O resultado é uma vida aparentemente segura, mas cada vez menor.

Quanto mais evitamos aquilo que nos desafia, menos oportunidades temos de descobrir do que somos capazes. E, paradoxalmente, quanto menos enfrentamos os desafios, mais ameaçadores eles parecem se tornar.

Crescimento não acontece na ausência de desconforto.

Ele acontece quando, apesar do medo, damos pequenos passos em direção ao que é importante para nós.

Isso não significa agir de forma impulsiva ou assumir riscos desnecessários. Significa reconhecer que toda mudança envolve algum grau de incerteza e que esperar sentir segurança absoluta antes de agir pode significar esperar para sempre.

A verdadeira confiança não surge quando temos controle sobre tudo.

Ela surge quando aprendemos que somos capazes de enfrentar o que a vida nos apresentar.

Por isso, vale a pena se perguntar:

As suas escolhas têm sido guiadas pelos seus valores ou pelo medo de sentir desconforto?

A resposta para essa pergunta pode revelar se você está construindo uma vida mais ampla ou apenas tentando evitar aquilo que faz parte de qualquer processo de crescimento.

Arte tipográfica em fundo bege com a frase: deixar de buscar aprovação não é deixar de amar, é parar de se abandonar.

O peso de viver em busca da aprovação dos outros

Até que ponto as suas escolhas refletem quem você é e não aquilo que os outros esperam de você?

Buscar aceitação é uma necessidade humana. Todos queremos nos sentir pertencentes, amados e valorizados. O problema começa quando a aprovação dos outros deixa de ser um desejo e passa a determinar nossas escolhas, comportamentos e até a forma como enxergamos quem somos.

Nessa dinâmica, dizer “não” parece egoísmo. Colocar limites gera culpa. Discordar provoca ansiedade. Aos poucos, a prioridade deixa de ser viver de acordo com os próprios valores e passa a ser evitar conflitos, críticas ou o risco de desagradar alguém.

Na maioria das vezes, esse padrão está relacionado a crenças profundas, como:

  • O medo de rejeição ou abandono.
  • A ideia de que só será aceito se corresponder às expectativas das outras pessoas.
  • Uma autoestima construída principalmente a partir da validação externa.

Quando essas crenças conduzem a vida, o preço costuma ser alto.

Você começa a dizer “sim” quando gostaria de dizer “não”. Assume responsabilidades que não são suas. Tenta atender às expectativas de todos e, mesmo assim, sente que nunca é suficiente.

Com o tempo, surgem o cansaço, o ressentimento e uma sensação de desconexão consigo mesmo. Afinal, quando passamos muito tempo tentando ser aquilo que esperam de nós, fica cada vez mais difícil reconhecer quem realmente somos.

Sair desse ciclo não significa deixar de se importar com as pessoas ou agir com indiferença. Significa desenvolver autonomia emocional.

Isso envolve construir uma percepção de valor que não dependa exclusivamente da aprovação dos outros, estabelecer limites saudáveis e compreender que você é responsável pelas suas atitudes, mas não pelas reações de quem está à sua volta.

Esse processo também exige aprender a tolerar um desconforto inevitável: o desconforto de não agradar. Nem todas as pessoas vão concordar com as suas escolhas. Algumas podem se frustrar. Outras podem até se afastar.

E isso faz parte.

Vale a pena refletir:

Se eu preciso deixar de ser quem sou para ser aceito, isso é um vínculo saudável ou uma relação baseada em submissão?

Relacionamentos saudáveis permitem diferenças, limites e autenticidade. Quando um vínculo só se mantém enquanto você se adapta constantemente às expectativas do outro, ele cobra um preço muito alto: a perda da própria identidade.

Viver como um personagem é cansativo.

Podemos até convencer outras pessoas de que está tudo bem, mas é muito difícil esconder de nós mesmos a sensação de estarmos abandonando quem somos. Por isso, algumas perguntas podem ajudar nesse processo de reflexão:

  • Em quais situações sinto que preciso agradar?
  • O que imagino que aconteceria se eu decepcionasse alguém?
  • Esse medo corresponde aos fatos ou às minhas expectativas?
  • Quantas vezes deixei de fazer algo importante para mim apenas para evitar a desaprovação?

Desagradar alguém não faz de você uma pessoa ruim. Da mesma forma, a aprovação ou a rejeição dos outros não determina o seu valor.

Como afirma o livro A Coragem de Não Agradar:

“A verdadeira liberdade é viver de acordo com suas convicções, mesmo correndo o risco de não ser aceito.”

Talvez a liberdade emocional comece justamente quando você percebe que não precisa conquistar o amor das pessoas deixando de ser você mesmo.

Se algo aqui te tocou e você quer conversar, o primeiro passo pode ser simples.